18.09.07
O Rio III
E quando sinto o cheiro da tempestade no ar, enquanto, estou sentado à mesa, é porque tudo me é muito úmido. A umidade é aquilo que nos salva de tudo o que nos cerca! A umidade é o que resta a todos nós, em meio ao tudo aquilo que nos deixa ocos.
É, porque o fogo, em contato com pele, faz com que esta solte a água, que fica presa, em bolha... quando o fogo nos toca, tudo fica mesmo é aguado... e não há coisa mais aguada do que a saudade.
A saudade é a água que evapora, a água que afoga, a água que fica escondida no peito, enquanto se respira... sim, tudo é a água, que é o único elemento que é capaz de refletir...
Tudo é a água, do espelho das ilusões vividas! E viva, a água está no vento frio que chega ao outono de qualquer ano, e que vai ao seu longo até que tudo seja o calor da primavera que faz tudo borbulhar, como a ebulição da natureza em seu altivamento... e que olho através do vidro, aguado, das janelas de meus olhos... e vejo tudo tão resplandecente, que só me resta suspirar, para que a água não me falte, assim como o amor, que é água. Enquanto a paixão me é fogo!
E tudo isso é viver, entre a mágica e a insensibilidade dos homens que estão ao redor... e eles não sabem que de tudo se pode, enquanto tudo se proíbe... e por isso é que é mesmo proibido sentir o suor da febre, que evapora tudo aquilo que nos queimava, e nos sobrava... e que nos restava, como o sentimento borbulhante do sangue, que, agita-se, dentro do corpo como que querendo a liberdade mais sublime que se pode atingir...
Tudo é o que se pode ver, através, do reflexo da água dos rios, dos mares... a água é mesmo o movimento da vida! Não a própria vida. Porque não se pode fazer vida de uma só coisa, de um só elemento... tudo é a integração que a água, também, permite. E tudo é a permissão de viver livremente, entre tanto!
Entretanto, é de entretantos que se vive o pouco de cada coisa, e sem que se perceba. E assim, é que tudo nos flui, na incrível paisagem dos olhos vivos, da alma, que é mais viva ainda, e que; está sedenta por mais do que o que esparsa aos olhos de si mesma.
Ah, e tudo são as portas que a água traz... as águas são o que nos debulha, em lágrimas, em sorrisos, em mais vida do que o que outrora foi vivida, do que outrora foi sentida, como a própria vida!
Tudo é o que está plasticamente dentro d’água, que não deixa outra sensação a não ser a de que tudo tem uma superfície, para que se tenha a densidade do dentro... do que está inserido por dentro da própria carne, aguada, que me parece tão sólida quanto a superfície, de terra! Mas que na verdade é o que me oculta tudo o que é mais denso de tudo, a tudo!
Isto não é mais do que aquilo que se pode ver através das janelas d’alma, das janelas do palácio, em que me encontro... e só posso ver muito, ou melhor, ao longe... por que estou em um plano alto... Em um planalto... (!)
E tudo me é o centro que borbulha a água que se esquenta com o fogo, e faz de tudo uma onda gigantesca que invade todas as cidades que me cortem o coração... cheio de ruas, becos, e sarjetas... e tudo é o que está implícito na água, que escorre, e não deixa senão o seu rastro, que logo será submerso pelo o que a evapora; e a faz ferver em estado natural... tudo o que me começa como água, me termina por ser ar... e meu ar é que me faz ferver, o que me faz respirar; e viver!
E tudo é só o amor! O amor, que é tudo o que está refletido na superfície, aquática, e densamente sentido em seu interior marítimo e fluvial de mim mesmo, e tudo me pluvia... como só poderia ser, ... A água!
Tudo me é aguado, aquático, tudo me é o que escorre de mim, para o mundo; e do mundo para mim, em outra forma... Tudo é o que me vem e o que me vai, como a água que me chove por todos os lugares na intimidade de um só instante, em que eu me peso, em que eu sou, o que está por entre tudo isso. E tudo o que está por entre a gravidade da coisa, que se esvai, e que me vem... e que tudo explode... em uma só gota, que se divide em outras; no instante em que ela cai no rio!
E tudo me é a gota em estado de espalhamento, de divisão... que explode em minha mente, a água... é só o bombardeio dela mesma, em mim, e de novo... E de novo nela, mesma! AH, água é só o escoamento do que me é sólido... o que mijo... é o que respiro... é o que me envolve, é o que me sobra.
A água é o que me deixa assim... sedento, e saciado! É só a água... é só o amor! O Amor. Água. Saudade. A água é o amor, a saudade é o sal. E tudo me é mar, que um dia me foi rio.
E rio, rio das águas! Doce, é o amor... o amor que me molha a boca, e que me delicia... tudo é o brinde de viver... de viver em águas, doces! E tudo me escorre...
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criado por furquimjr
14:25:00