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Eu não sei se é dia ou noite
Por favor, não conte
Tire o fone do gancho
E grite meu nome
Feche a cortina
Desligue o rádio
A televisão sem som
Já é um bonito quadro
Pro nosso amor descarado
Virado (virado)
O mundo lá fora
Não serve pra nada (pra nada)
Eu não sei se o nosso caso
Vai durar ou não
Se o que sinto por você
É doença ou paixão
Acenda as luzes todas
Perca a razão
Vem, me procura e encaixa (encaixa)
No escuro do meu coração
Pro nosso amor descarado
Virado (virado)
O mundo lá fora
Não serve pra nada (pra nada)
Ah, é tão triste olhar ao redor, e ver! Ver que cada vez mais a estupidez e o egoísmo humano destroem tudo o que há de mais belo na vida!
Ver que tudo passa, e que tudo está passando é tão simples, que na verdade, eu, já não teria mais motivos para estar sentindo-me como uma pedra!
Como uma pedra!
Sinto-me tal qual uma pedra que no meio de tantas outras não tem valor algum. É apenas mais uma, entre tantas outras, que dentro, dentro do silêncio denso e rochoso há tanto que, são apenas os detalhes da vida mais iminente e borbulhante, mas que de tanto a tanto tudo é o mesmo, que fica preso na garganta!
Ah, parece que me transformei em algo que não é mais aquilo tudo, só por estar tão incrustado em tudo o que sinto, em tudo o que vejo, que resta aos olhos d e quem me olha apenas aquilo que eles vêem!
Mas sinto, mas vejo: São todos cegos! E eu não sou muito diferente! Mas acontece que não sei mais como tentar mostrar tudo aquilo que sinto!
E nem ao menos as palavras, já não me são mais tão sinceras quanto eu gostaria que fossem...
É, talvez, mas bem talvez, eu deveria apenas deixar que tudo fluísse como agora, sem nem ao menos preocupar-me com o que está sendo dito!
É. Pois bem. Então direi que ao descobrir o peso de cada palavra me assustei. E de tufo o que me assusta, é esse o tudo que me fica preso! Parece que não sei mais chorar, e nem rir, espontaneamente!
De alguma forma tudo ao redor é tão abstrato que o meu sentimento é o que me deixa preso. De mim, para mim. Um outro eu, um outro mim, que tudo a mim condena, que tudo a mim revela! E de tudo o que está secretamente em mim, sem segredo nenhum, é o que devo ou não dizer!
Não confio em ninguém! E por isso nada, nada a mais do que está interferindo nos meus sentimentos podem ser ditos pela minha boca!
Tenho medo de falar!
Tenho medo de dizer as coisas mais banais de mim, cada vez mais eu me pareço falso a mim!
É como dizer que tudo isso é quando estou em contato com um outro, talvez, seja apenas a fantasia de tudo o que invento, e que já não sei mais como expressar para mim, como as coisas são de verdade!
Qual é a realidade? Talvez não seja bem essa a pergunta! Mas sim qual dentre as mil fantasias que vivo, que a mim, é mais real? E por que esta só faz sentido a mim?
É porque, talvez, seja somente eu é quem vive, dentro de mim, somente eu sei como é estar vivendo entre tanto, entre tantas as coisas que vejo, e que simplesmente, tenho que me calar!
É porque dizer tudo sobre isso é o mesmo que aterrorizar o mundo! E exatamente assim é que me assombro tanto, que nada parece escoar de meus milhares de sentimentos? E tudo isso porque tento fugir de quem eu sou! Este alguém que apenas sabe discorrer os sentimentos em palavras para ver se consegue, ao menos, respirar o ar que é mais puro do que a própria claridade em contrapeso com a escuridão da minha própria mente!
E por fim, é como se eu de fato não confiasse na minha própria mente, que trai meus sentimentos, e faz com que eu não saiba, porque de alguma forma estou tentando saber!
E é como se tudo isso, pouco a pouco, me corroesse, me consumisse, e de mim, sobra bem pouco para que, de fato, viva, viva como os tantos outros que passam, por mim, nas ruas, nos ônibus, na TV, e que finjo que não os vejo!
E fingir não é o mesmo que não existir!
Então, tudo isso é mesmo algo que existe, porque senão não seriam palavras em desalinho que estão sobrepostas em seqüências para que tudo isso não me aniquile! Estou em frangalhos do que poderia ser toda a beleza, mas que de alguma forma é como se não me fosse permitido ser tudo o que sou! Porque cada vez mais e mais parece que ser quem sou é tão incômodo aos outros, que por sua vez, os outros incomodam a mim!
Ora, mas veja bem!
Como posso ser livre? Como posso sorrir? Se já não sei como é que se chora? Como é que simplesmente se chora?
Não sei! Não sei!
Hoje, enquanto chovia, sentia-me tão entempestuoso que não pude mais do que olhar pela janela, e foi aí que saiu o sol, por entre as nuvens, que cinzas, já não encobriam mais nada! E tudo foi suavizado, mas nada disso me deu alívio senão o olha de quem olha, e só olha, como se já não fizesse parte de tudo o que está ali!
E assim, é que nesse exato instante começa a chuva outra vez! E o silêncio da madrugada é cortado pelo som das gotas que batem no chão, e do veto que balança as árvores, levo apenas a força, do mudo, do terror, de estar em um lugar que parece tão fantasmagórico que chego a ter quase, e apenas quase, com tanta ironia, a sensação de que estou morto!
Será que de alguma forma eu morri e não percebi?
E será que estou sendo metafórico? Ou apenas falo a realidade!? Não sei. Parece que ando por entre coisas e pessoas que não existem senão na minha própria imaginação! E a chuva de agora é só o complemento de toda a minha solidão e destruição humana!
Engraçado que acabo de notar que o meu medo de machucar os outros só machuca a mim! Sei lá, esse é o meu mal!
Parece que é maldição, toda vez que quero mais do que tudo o que estou olhando, é como me sentisse tão machucado que eu apenas não consigo esticar o braço para pegar, com as mãos!
Ah, é como se o calmante que tomei estivesse em meu sangue e fica difícil deslizar a caneta, vê, como é difícil esticar a mão!
E quem sabe mais um cigarro? Ah, talvez tudo se apague se eu parar agora, mas é como se eu já estivesse parado, porque a mente é mesmo o que me destrói em tudo o que me é simples! E agora – tudo me dói!
Engraçado é ver que ao soltar a caneta, a chuva também parou! Mas tudo por uma mentira de me dizer calma, quando apenas me deu um pouco de sono!
Enxaqueca é um mal que só me dá quando tenho o peso da mente ao carregar! E minha cabeça tem esses lampejos de dor! Assim como a luz, que falha, é o temor!
Temo que tudo seja como é! E sei que é!Mas como de fato acordar? Não sei! Sei que quero!
Quero acordar!
Não! Definitivamente não tenho mais forças ara viver a farsa que vivo, mesmo estando morto!
E falo sobre mim! Mim mesmo que explode em eu! E saber? Saber o quê se tudo me parece inexistente! Quero apenas acordar onde devo acordar! Ou será que é assim mesmo!?
De fato, acho sim que nem mesmo esse papel existe, mas porque ele não desaparece, assim como o eu, e, todas as coisas que me rodeiam!
Ah, e nessa hora de querer mais do que o que está! Vem sempre o passado! Que só me fere!
E o que fere é saber que não levito, mas a cinza do cigarro não cai quando esqueço por completo da gravidade!
E isso porque não existe cigarro, não existe cinza, não existe gravidade!
Eu – não existo!
criado por furquimjr
10:02:03