| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||
| 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 |
| 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 |
| 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 |
| 27 | 28 | 29 | 30 | 31 |
Nota do Autor
(na verdade Clarice Lispector)
Pois que dedico esta coisa aí ao antigo Schumann e sua doce Clara que são hoje ossos, ai de nós. Dedico-me à cor rubra muito escarlate como o meu sangue de homem em plena idade e portanto dedico-me a meu sangue. Dedico-me sobretudo aos gnomos, anões, sílfides e ninfas que me habitam a vida. Dedico-me à saudade de minha antiga pobreza, quando tudo era mais sóbrio e digno e eu nunca havia comido lagosta. Dedico-me à tempestade de Beethoven. À vibração das cores neutras de Bach. A Chopin que me amolece os ossos. A Stravinsky que me espantou e com quem voei em fogo. À “Morte e Transfiguração”, em que Richard Strauss me revela um destino? Sobretudo dedico-me às vésperas de hoje e a hoje, ao transparente véu de Debussy, a Marlos Nobre, a Prokofiev, a Carl Orff, a Schönbergh, aos dodecafônicos, aos gritos rascantes dos eletrônicos – a todos esses que em mim atingiram zonas assustadoramente inesperadas, todos esses profetas do presente e que a mim me vaticinaram a mim mesmo a ponto de eu neste instante explodir em: eu. Esse eu que é vós pois não agüento ser apenas mim, preciso dos outros para me manter de pé, tão tonto que sou, eu enviesado, enfim que é que se há de fazer senão meditar para cair naquele vazio pleno que só se atinge com a meditação. Meditar não precisa de ter resultados: a meditação pode ter como fim apenas ela mesma. Eu medito sem palavras e sobre o nada. O que me atrapalha a vida é escrever.
E – e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.
Esta história acontece em estado de emergência e de calamidade pública. Trata-se de livro inacabado porque lhe flata a resposta. Resposta esta que espero que alguém no mundo me dê. Vós? É uma história em tecnicolor para ter algum luxo, por Deus, que eu também preciso. Amém para todos nós. (A Hora da Estrela)
_____________________________________________________________________
...E por que não podemos simplesmente amar... como os macedônios amavam???
Ora, isso é por que Freud explica!
E explica o que exatamente? Ah, tá! Eu tenho uma identidade, e eu tenho um ego e um inconsciente... e tudo isso que implica em uma fração de dúvidas e, frações de segundos, e um mundo que me rodeia com velocidades, unidades e medidas que não me fazem sentido. E isso apenas porque eu sou o quê? Moderno? Ah, não sei, sou tão modernamente antiquado! Sim, ou modernidade mesmo seria isso???
Ah, o fato é que a História me mostra tantos fatos que eu nem sei mais. E de tanto não saber, sim, uso de artifícios, modernamente históricos, mas não falarei quais são, hei ainda de ser secreto! Secreto para proteger-me de tufo o que ainda não sei.
E tudo o que escrevo agora é tão sentimental, quanto matemático. E segundo meus cálculos passaram-se alguns segundos para que tudo isso saísse gramaticalmente em um bloco, um bloco de idéias massificadas, em palavras. Mas eis que, a Verdade Absoluta sobre tudo é que isso é feito, sobretudo, com sentimentos. Os meus próprios sentimentos sobre tudo.
E qual é o ponto em que Freud me deixa... a desejar??? Ah, não posso falar muito sobre ele, afinal, não o li realmente, mas sei sobre o que falam sobre ele!
Ah, mas que ele era tal qual conterrâneo de Einstein, isso era! E tal qual aos outros é gênio que simplifica o que era, e complica o que será, ou melhor, o que já é!
Entender que uma nova descoberta acarreta em novas dúvidas é o mínimo de simplificação de conhecimento que aprendi por toda a minha existência! E digo isso, falando sobre o que li de mim, enquanto eu não era propriamente eu. Mas já o era! Complicado seria se eu soubesse que eu era eu! Mas descobri depois, e isso me fragilizou!
O peso de saber que se carrega a sei mesmo há tempo indeterminado, traz consigo ao peso de viver a tempo. A tempo de algo que seja... atemporal, como o que veio antes... e dormir com tudo isso não é tão fácil como anteriormente era.
Mas e daí??? Não preciso de fato dormir, senão, para entender... e como entendo? Ora, somente sonhando é que posso ver a realidade não sonhada! E é na vigília, que eu apenas vigio e analiso tudo aquilo que me é sonho. E isso tudo de analisar é tão freudiano que nem sei mais!
Poderia eu dar isso por encerrado??? Sim, pois voltei ao ponto de partida! E isso é o que chamo de meu estilo... meu estilo moderno. Então, para mim, e ao redor, ser moderno é ser repetitivo e sincrônico. Crônico, diria eu modernamente falando.
Ah, é melhor então que eu diga que isso é apenas o que causa-me uma incrível dor, mas como tudo é científico demais na modernidade, direi então: Enxaqueca.
Dizem-me que é apenas a minha consciência que pesa, ora, então é quando digo: “Ora, se é assim então, abrro mão!” Abro mão de minha consciência, para que a inconsciência traga-me toda a ciência.
E assim, eu, sem saber de toda a telecinese que paira em mim, apenas destruo, ou renovo. É como um pensamento que me ilumina e sinto, e ouço a eletricidade da casa estalar... e, ecoar... e, não só pela casa, mas em meu peito, mas nos meus vasos, sanguíneos!
Ah, e agora voltei tanto que um relato anterior me cabe outra vez... e outra vez eu poderia finalizar meu texto, meu relato, mas tudo é tão inconsciente quanto consciente, então, luto. Luto pela inconsciência – INCONSTÂNCIA!!!
Ah, é como dizer que... isso mesmo, dizer o que não existe em palavras, são só reticências de alguma coisa que permeia dentro da minha mente! E mente! Ah, minha mente, é infelizmente traiçoeira, é o bem e o mal, ciente e inocente. É o tudo e o nada... explosão e vácuo! (Vácuo)
(Explosão)
Ah, voltei demais... pobre, pobre Maca, quis um dia, ser Glória, morreu a pobre... morreu!!! E esse é o estado... estado que não se pode dizer, é apenas o estado que vem de tal forma que outra vez: sou eu, em mim... (vácuo) INCONSCIENTE (EXPLOSÃO).
E tudo é como é... não é??? Pois é. Pois bem, não é nada a mais do que eu, em mim, de tal forma que tudo acaba de eletrocutar-me de tal forma, que apenas ouço... ouço o que é indescritível, é pessoal e sublime!
Sinto muito, se o ofício é doloroso e penoso, é igualmente proporcional em alívio e glória, ao que é melhor mesmo dizer que, este é o único gozo de alma que me vale. E não, não vou parar!
Eis que não direi mais nada agora, mas isso é só uma questão de explodir, e de aderir, sinto muito, escerver é mesmo solitário, e sentir este prazer, somente eu, comigo, é que posso sentir: Agora!
Agora e sempre. Ah, não estou sozinho!!! (Elétrico!)
criado por furquimjr
00:37:30