O Magma III
Horas... minutos... segundos... Tic-Tac, Tic-Tac...
Tudo é o tempo da ilusão que me esvai assim, com a realidade, quando o olho, e sei que tudo é a água salgada que perfura os meus poros por serem mais permeáveis do que o imaginado pela relatividade, o que me fica no suor, é a parte exata, do que me sobra como a mágoa de ter nascido, morrido, e vivido de tal forma, que, tudo é o sangue!
O sangue, alimento de vampiros, alimento do próprio corpo, para o próprio corpo! É como saber da fotossíntese, e achar que a clorofila não é o mesmo! Mas o é. Mas tudo é o mesmo de forma divergente do que se imagina ser. E que por isso quando os carros passam a caminho do onde se pode ir... e que eu sei que sou algo que não funciona como o metal, da velharia, que fatalmente apodrecerá., mas, eis que os vermes irão roer-me, mas, isso se eu puder evitar... ah, viro cinzas antes, para que eu renasça, renasça quantas vezes for preciso só pra poder ver, o que não é mais do que a vida corrente da corredeira, que neste exato instante não parou de escoar água para que eu falasse tantas bobagens, essenciais, a mim mesmo!
Isto é como uma carta que não sei dizer! Isso é como uma lágrima que não sei escorrer! Isso é como o sangue que não sei tomar! Mas que escorro, mas que choro, mas que bebo.
Ah, tudo é o que dilacera o ponto que se tem para partida, ou chegada, e tudo é tão expelido de tal forma, que, resta em mim o sono, talvez essa seja mais uma de minhas próprias armadilhas, para que eu pare! Mas o cansaço é só o que abate, quando bate! E que vem tão aos poucos que quando eu, distraído de mim, não consigo perceber... é a dor de mim que está em mim, sempre vasa ao outro de uma forma que é inexplicável ao outro, e até a mim, já que eu para mim é o complexo de todas as coisas que vejo; e que se misturam... eu não posso dizer que eu sou o que escuto, porque na verdade é a visão que me atrapalha mais! E não posso dizer que eu não estou integrado a tudo isso... E eis que tudo é o que sonoramente fica na intergaláxia de mim mesmo! Sabendo que nada mais é o que me ostenta em mim, e sim o que me suprime por entre as palavras da desolação, e da desilusão. Mas, veja bem que, nada disso é tristeza, é sim, um tanto melancólico, mas é algo que supera a própria melancolia, por que; há a alegria aos gritos de quem só sabe viver, vivendo.
E por mais que não se possa dizer mais do que isso, tudo isso é o que me vale, no instante em que sei que um dia toda a minha casa irá ruir, será consumida pelos vermes, porcos, e ratos, ou serão simplesmente incineradas... não sei ainda, não sei qual é bem a diferença..., mas, sei que a diferença é justamente a escolha entre o pairar, e o penetrar; ou o ser consumido lentamente como o que vai ficando também, lentamente, incrustado em tudo o que era o somente o mineral.... O mineral é o grande ser que vive, porque é tão vivo que se finge de morto a vida toda, e fica com todo o resto de quem achava que estava mais vivo, só porque podia andar, falar, e ainda vomitar... É, tudo é o que fica na terra, e na Terra, resta pouco para aqueles que pairam por cima dela....
Porque sim, fatalmente tudo chove. E quando chove, tudo se iguala, nada se perde, não se chove a não ser o que foi de uma vez, anterior, evaporado... e é o vapor que leva o progresso adiante, sempre foi, e nunca deixará de ser, a não ser que tudo seja mesmo o enxofre que vaza do solo... E tudo é o magma que de tão vivo só sabe mesmo é esperar o seu momento... De se derramar, e de tão quente... Devastar. Tudo aquilo que um dia voltará a ser sólido... e tudo isso são as idéias sólidas da sanidade que se escapa por tenra loucura de viver... e somente viver, para que de vida a vida, tudo seja vivo, o bastante! Tudo seja vivo e intermitente para que seja, e apenas seja, o que nasceu para ser, e para morrer!
Ora, e o que é o dó senão aquilo que sentimos quando se vemos que alguém sofre... e não se pode fazer mais nada para que ajudarmos a aliviar... E sim, o que é o sentimento de remorso se não aquele dó que sentimos por algo que nós mesmos fizemos ao outro???
E o que é tudo isso senão a piedade dos Deuses sobre nós??? O que é piedade afinal? Senão é o mesmo que dó??? Ora, piedade é a resignação do dó. É aquilo que crava suas unhas sob o que não é escamas... e tudo é o rato momento de sentir-se, e ver que tudo é feito! E feito está! E não há como escapar de tudo isso, não há dizer que a mais do que o que está feito. E tudo está feito!!! Ora, está, e assim é, a piedade de quem sente, é aquilo que aflige o outro que não é o piedoso, e sim, o pobre coitado de quem sente o que não se sabe mais o que.
Ah, o que resta é a sabedoria, e a voracidade de devorar tudo. O que resta é o tremor de frio, do cão ao meu colo, o que resta é a lua cheia que se esconde por entre as nuvens de uma noite tão infinita, e ínfima quanto todas as outras já passadas pela tela, gigantesca, do cinema da rua da vida, que passa por entre as cenas, e as luzes entre os carros, e prédios, onde tudo é fictício, e real demais ao mesmo tempo. Tudo é o amor. Que escapa. E escapa, ao poucos, como alfinetadas na pele de quem sente o frio de uma noite tão cálida, que tudo é o que se derrama do cálice de vinho, tinto, que é a cor que tinge tudo o que antes era o linho da toalha, branca demais... E tudo o que era demais... Tudo é a areia de Atlântida que me deixa espantado ao simples pensar em sua existência... ah, é Roma que Nero incendiou... e tudo o que é ainda virgem nesta terra... Nesta Terra, que tanto já rodou, para que tudo voltasse a ser o que está ainda mais aterrado, mas submerso e mais forte do que tudo... o fogo, que borbulha em sua consistência de sólido, e com certeza é o que derrama e queima... a todos àqueles que esquecem-se de respirar em meio a tanto.
E tudo é o consolo de em meio a tudo isso, amar, e ser amado... E sem mais nada pedir, porque aí... Tem-se tudo!
Este tudo, que escorre, como o magma, da alma, submersa por baixo de tanta pele, por baixo de tanto mar... é só o sal que queima a pele, que se decompõe ao solo, e que chega ao fogo, consistentemente bruto. De tudo aquilo que era só mais uma de todas, das maiores ilusões... e só o amor. O Amor. Aquilo que nos faz. Aquilo que nos é. É só o Amor! É a Guerra da Terra, o amor, e o rancor... A pele, o solo... o fogo, a sede... o submerso... o fogo sólido do magma do amor... é só o amor!!!

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criado por furquimjr
16:10:24