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Preto no branco
Amarelo, um pouco de azul
Noite estrelada
Peito feliz
Olho no olho
Pintura a quatro mãos
Tintas claras
O mesmo cigarro
Isso é amor
Amor quente
Água de coco pra dois
Porta do carro aberta
Vento morno da areia
Palavras mentirosas
Isso é amor
Amor quente
Cama de casal
Luz bem baixinha pra ver
Gemidos de dor e alegria
Sair de si por três minutos
Isso é amor
Amor quente
Supermercado, escolher iogurte
Fazer compras juntas
Brigar por besteira
Isso é amor
Amor quente
Tomar café, banho, brisa
Champanhe, tristeza, beleza
Cremes, músicas, sucos, água
Drogas, fumo, passar perfume
Isso é amor
Amor quente
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Ao entrar no banho, sei que estou apenas dentro de algo que não posso compreender bem. Mas o estranho é que entendo. Entendo bem.
Entendo a sensação de ao entrar no banheiro e ver o sabonete, e tão só o sabonete, que não nada mais existe. E minha existência não é mais do que isso, esse tudo que me impregna naquela imagem!
E sim, a imagem que vejo é um sabonete que simplesmente, não cai. Mesmo estando em cima de uma saboneteira de metal que se prende a uma parede, que também não cai, porque ainda existe o azulejo.
Engraçado? Não. mas isso não é pra se tratar do mais a mais senão somente um sabonete!
E sim, sobre o sabonete paira um cheiro que não sei explicar, que por mais que ele tenha sido fabricado para ter cheiro de algum perfume específico, no caso o de leite, não, ele não tem!
O sabonete tem cheiro, de sabonete!
E nada a mais do que isso! E sei bem o que estou a fazer quando ele desliza sobre o meu corpo, em minha mão! Sim, em minha mão!
Ah, como a caneta agora, que tem forma de caneta!
Vê? É isso! Tão simplesmente, eu estando lá, a banhar-me e de repente sentir o ímpeto de ouvir música, talvez um opera?!
Ah, mas o fato é que ópera ou não, é só Chopin que ouço agora!
E sim, ah, que acorde, hein! Não há mais o que dizer, é só Chopin!
- Intenso –
Paro por aqui, para retornar ao som do vapor, e da espuma que do sabonete derretido, espalha-se toda, por meu corpo todo, nu, e tão nu, que não me resta mais nada senão ao meu próprio toque, íntimo, que só mesmo eu, posso dar!
É, e tudo isso é o que escapa por entre as espumas! E o que elas me lembram das espumas do mar?
Não sei.
Engraçado é que são tão mais artificiais, e tão doces, que chego a pensar o sal, e sentir saudade dele, mas ao pensar que a espuma é doce, eu, lambo-a!
E tem o gosto do doce que não é doce, não tem gosto de nada. De nada a mais do que senão sabonete!
Um gosto que sinceramente não me parece com gosto parece-me com vida! Sim, estranho, o sabonete, a mim, tem gosto de vida! Tão bom, e ao mesmo tempo, tão incômodo, que me é apenas desejado e desprezado!
Ah, e o que dizer de tudo isso?
Tudo isso só pode mesmo ser... amor! Ah, AMOR!
Amor, Amor, o que é me é tão derretido, morno, frio, quente, liso, e que me percorre até o que me escapa, agora, com espuma!
E espumoso de mim, sentindo-me fresco, em tarde ensolarada e quente de outono, ouço o vento... e Chopin, e digo: “ Amo, Amo a vida, amo a tudo, amo o nada, de mim! Amo!”