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Fazer um desenho nas costas da mão
Despir a consciência das dores morais
Jogar uma vaca do décimo andar
Viajar sobre a lua que varre os sertões
Uma ostra chilena, um beijo em Paris
Se cortasse o cabelo e mudasse o nariz
Se Vital escrevesse a constituição
Se eu nunca quisesse quem nunca me quis
Ser dois e ser dez e ainda ser um
Se a vingança apagasse a dor que eu senti
Seco, reto, isento, amoral
Se eu nunca lembrasse o estrago que eu fiz
Tudo isso me faria feliz
Absurdos me fariam feliz
Pero nada me hará tan feliz
Como dos margaritas
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Acontece que desde criança minha imaginação não é tão pequena assim.
Pois bem, quando eu era mais novo eu costumava imaginar como seria o
futuro e todos os detalhes. Há coisas que eu imaginei. Sim, por mais
que às vezes eu reclame, sim, eu imaginei.
E tudo isso é o que eu quero realmente. E não há razão para dúvidas.
Enfim, o fato é que eu imagino tudo com requintes de detalhes... se
imagino minha casa no futuro, sim, eu já imaginei os cômodos e as
cores dos móveis e como será tal coisa... tipo, a cor da cortina que
cobrirá tal janela que fica no quarto, mas a cortina da sala será de
outra cor... entende?
Eu passo tanto etempo imaginado tudo isso... fora os diálogos com
pessoas, sei lá, me imagino muito.... e acho que esse sempre foi meu
mal, ou meu bem...
Mas, a verdade é que isso me leva a escever, embora eu não seja muito
descritivo... não com espaços... prefiro descrever aquilo que se
sente, e não o que se vê, porque para mim é tão nítido o que eu
imagino, que sei lá, cabe mais descrever o que eu senti ao ver tudo
isso.
E tudo isso que escrevo agora, eu imaginei ontem, mas a cada nova
palavra, existe aquilo que eu não tinha visto... portanto é preciso
que as coisas sejam feitas até o fim!
Outro mal meu? Ou outro bem... não sei muito simplesmente virar as
costas e deixar pela metade..., mas quando não consigo mais também...
é como se mudasse a rota! Mas, enfim, tenho minha rota, ou não,
ultimamente eu deixo que as coisas aconteçam. Não adianta pensar em
tudo. Aliás meu mal é mesmo pensar em todas as possibilidades, e sei
lá, isso faz com que eu não me surpreenda tanto. Mas às vezes
acontece. Mas sei lá, eu não posso ter imaginado, ou melhor
desejado... ao ponto de querer imaginar tudo.
Esse é o ponto. Entender que não é possivel saber de tudo não é tão
difícil assim. Mas aceitar que as coisas não acontecem do jeito que a
gente quer que aconteça, e não hora que acabou-se de imaginar...
enfim. Por isso às vezes tenho uma estranha sensação que eu já vivi
certas coisas que sei que não vivi, é um delay que ocorre em meu
cérebro, sei lá, até eu saber que era só minha imaginação, já acho que
era dejà vu e blá, blá, blá...
Entende, é tudo um fio que eu enrolo, desenrolo na minha mente... na
verdade, não gosto de assitir TV porque imagino, sobre a imaginação
alheia..., mas às vezes é bom... nenhum homem é uma ilha e tal...
E talvez eu tenha sido, sei lá uma coisa bem fechada, e agora sou uma
península. Mas enfim, mudar é preciso, não é... e sim, mudo a todo
instante, agora mesmo estou mudando, quer dizer, me calando...
ahahhahaha, gosto de brincar com as palavras, e isso é só porque
existem mesmo, muitas, mas muitas, possibilidades... de ver, uma coisa
só!